27 julho 2026

Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR): importância para a gestão territorial e a prevenção de desastres


O que é o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR)?

Durante muito tempo, a gestão de riscos no Brasil esteve baseada principalmente em ações de resposta. Em outras palavras, o poder público costumava agir de forma mais intensa depois que o desastre já havia ocorrido, concentrando esforços em ações de socorro, assistência às famílias afetadas e reconstrução das áreas atingidas.

Com a criação da Lei Federal nº 12.608/2012 e o fortalecimento das políticas de planejamento urbano e ambiental, esse modelo começou a mudar. A prevenção e a redução dos riscos passaram a ocupar um espaço mais importante na gestão das cidades.

É nesse cenário que o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) ganha importância. Mais do que um documento técnico, o plano pode servir como uma ferramenta para orientar decisões relacionadas ao crescimento urbano, à ocupação do território e à prevenção de desastres.

Seu principal objetivo é identificar áreas sujeitas a diferentes tipos de risco e ajudar o município a definir quais medidas devem ser adotadas para reduzir esses problemas.

O PMRR reúne conhecimentos de diferentes áreas, como geologia, geografia, engenharia, planejamento urbano e defesa civil. Ao mesmo tempo, precisa considerar as características sociais e econômicas da população que vive nas áreas de risco. Dessa forma, o plano aproxima o conhecimento técnico da realidade encontrada no território.

O PMRR e o planejamento territorial das cidades

O processo de urbanização brasileiro ocorreu, em muitos casos, sem considerar adequadamente as características do meio físico. A ocupação de encostas com alta declividade, margens de rios, áreas sujeitas a alagamentos e locais influenciados pelas marés são exemplos de situações que podem aumentar a exposição da população aos riscos.

Nesse contexto, o PMRR estabelece uma relação importante entre a defesa civil e o planejamento urbano. O levantamento realizado pelo plano permite identificar as áreas mais vulneráveis e compreender quais fatores contribuem para a ocorrência dos problemas.

Identificação das áreas de risco

Uma das principais contribuições do PMRR é a identificação e caracterização das áreas de risco. O plano permite localizar as áreas ameaçadas e identificar processos que podem ocorrer, como:

  • Deslizamentos;
  • Erosão;
  • Solapamento de margens;
  • Enxurradas;
  • Inundações.

Também possibilita classificar o nível de risco de acordo com a metodologia adotada.

Apoio ao planejamento urbano

As informações produzidas pelo PMRR podem auxiliar na elaboração e na revisão do Plano Diretor, no ordenamento da ocupação do solo e na definição de áreas onde novas ocupações devem ser evitadas ou controladas.

Dessa maneira, o plano contribui para integrar a gestão de riscos ao planejamento territorial, evitando que a expansão urbana aumente a exposição da população a situações perigosas.

Definição de prioridades para investimentos

Os municípios geralmente possuem recursos limitados e precisam estabelecer prioridades. O PMRR pode ajudar nessa escolha ao indicar quais áreas apresentam maior necessidade de intervenção e quais medidas podem ser adotadas.

Entre essas medidas estão:

  • obras de drenagem;
  • contenção de encostas;
  • melhorias na infraestrutura;
  • implantação de sistemas de alerta;
  • quando necessário, reassentamento de famílias.

Assim, o plano não deve ser entendido apenas como um mapa das áreas de risco. Ele pode funcionar como uma base para orientar decisões e organizar as ações do município.

O risco também envolve questões sociais

Durante muito tempo, a análise de riscos esteve muito concentrada nos aspectos físicos do território. A preocupação estava principalmente em entender o comportamento das chuvas, do solo, das encostas e dos cursos d'água.

Esses fatores continuam sendo fundamentais, mas atualmente existe uma compreensão mais ampla sobre a formação do risco.

Um fenômeno natural, por si só, não explica a ocorrência de um desastre. Os impactos dependem também das condições de ocupação e da capacidade da população de lidar com aquele evento.

Uma chuva intensa, por exemplo, pode provocar consequências muito diferentes em uma área com infraestrutura adequada e em outra onde existem moradias precárias, deficiência de drenagem e ocupação de encostas instáveis.

A importância da vulnerabilidade social

Por isso, a vulnerabilidade social precisa ser considerada na elaboração de um PMRR.

Aspectos como:

  • condições das moradias;
  • infraestrutura disponível;
  • renda da população;
  • acesso aos serviços públicos;
  • capacidade de resposta diante de uma situação de emergência;

fazem parte da realidade do risco.

Participação da população na gestão de riscos

Outro ponto importante é a participação dos moradores. A população que vive em uma determinada área possui conhecimentos sobre o território que nem sempre aparecem nos levantamentos técnicos.

Os moradores podem indicar locais onde já ocorreram deslizamentos, alagamentos ou outros problemas, além de reconhecer sinais que antecedem determinados eventos.

A participação comunitária, portanto, pode complementar os estudos realizados pelos profissionais. Quando a população entende os riscos existentes e participa da discussão sobre as possíveis soluções, aumentam as possibilidades de que as medidas propostas sejam compreendidas e colocadas em prática.

Desafios para a implementação do PMRR

Apesar de sua importância, a elaboração de um PMRR não garante, por si só, a redução dos riscos existentes no município. Um dos principais desafios é fazer com que as informações produzidas pelo plano sejam efetivamente utilizadas pela administração pública.

Atualização dos dados e mudanças no território

Um primeiro problema está relacionado à atualização dos dados. As cidades estão em constante transformação. Novas ocupações surgem, obras alteram a drenagem e as características do terreno podem mudar ao longo do tempo.

Além disso, os eventos climáticos podem apresentar novas características. Por esse motivo, o PMRR precisa ser revisado e atualizado periodicamente.

Transformar o diagnóstico em ações concretas

Outro desafio é transformar o diagnóstico em ações concretas.

Identificar uma área de risco é apenas uma etapa do processo. É necessário definir quais medidas serão adotadas, quanto elas irão custar, quais órgãos serão responsáveis pela execução e de onde virão os recursos.

Para isso, as ações previstas no PMRR precisam estar articuladas ao planejamento e ao orçamento municipal, incluindo instrumentos como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Mudanças climáticas e novos cenários de risco

Também é necessário considerar as mudanças climáticas. O aumento da ocorrência ou da intensidade de determinados eventos extremos pode modificar as condições de risco existentes.

Dessa forma, o planejamento municipal precisa trabalhar não apenas com o histórico dos acontecimentos, mas também com possíveis cenários futuros.

Considerações finais: o PMRR como instrumento de prevenção

O Plano Municipal de Redução de Riscos representa uma importante ferramenta para a prevenção de desastres e para o planejamento das cidades brasileiras.

Sua importância está justamente na possibilidade de reunir informações sobre o meio físico, as condições de ocupação e as características sociais da população para orientar as decisões do poder público.

No entanto, a existência do plano não é suficiente. Para que seus resultados tenham efeito, é necessário que as informações sejam atualizadas e incorporadas às políticas municipais de habitação, infraestrutura, meio ambiente, planejamento urbano e defesa civil.

Também é fundamental garantir recursos para a execução das medidas propostas e manter a participação da população durante esse processo.

Dessa maneira, a redução de riscos deve ser entendida como parte do próprio planejamento urbano. Prevenir a ocupação de áreas inadequadas, melhorar a infraestrutura existente e acompanhar as mudanças no território são medidas que podem evitar perdas humanas, sociais e econômicas.

Mais do que agir somente depois de um desastre, o município precisa trabalhar para reduzir as condições que tornam determinados grupos e territórios mais vulneráveis. Nesse sentido, o PMRR pode contribuir para uma cidade mais preparada, organizada e capaz de enfrentar situações de risco de forma preventiva.

O que você pensa sobre o PMRR?

Na sua opinião, os municípios brasileiros estão utilizando adequadamente o Plano Municipal de Redução de Riscos para orientar o planejamento urbano e prevenir desastres?

Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência ou percepção sobre a gestão de riscos, o planejamento territorial e a prevenção de desastres no Brasil.

Referências

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