22 janeiro 2026

A Gênese e Classificação das Montanhas no Brasil: Uma Releitura Geomorfológica

 


A discussão sobre a existência de montanhas no Brasil perpassa, fundamentalmente, pela evolução do pensamento geomorfológico e pela adoção de novos critérios classificatórios que transcendem a visão clássica da geologia. Historicamente, a definição de "montanha" esteve atrelada quase exclusivamente aos orógenos modernos, resultantes de choques de placas tectônicas recentes, como os Andes e o Himalaia. No entanto, a geomorfologia brasileira contemporânea tem avançado na sistematização de conceitos que permitem identificar formações montanhosas no país a partir de critérios morfoestruturais e morfoclimáticos específicos.

1. Evolução Conceitual e o Sistema Brasileiro de Classificação do Relevo (SBCR)

A transição do conceito clássico para uma abordagem mais abrangente é consolidada pelo Sistema Brasileiro de Classificação do Relevo (SBCR). Diferente da visão estritamente tectônica, o SBCR estabelece critérios morfológicos para a identificação de montanhas:

  • Amplitude altimétrica: Deve ser superior a 300 metros.
  • Declividade: Presença marcante de picos e vertentes íngremes.
  • Arranjo Espacial: Exigência de continuidade geográfica das elevações.

Essa nova diretriz conta com o apoio de importantes geógrafos, como Jurandyr Ross, e resulta de um esforço conjunto entre instituições como o IBGE, a CPRM e a União da Geomorfologia Brasileira (UGB) para a atualização de materiais didáticos e científicos.

2. Origens Geológicas das Montanhas Brasileiras

Diferente das cordilheiras formadas por subducção ativa, as montanhas brasileiras possuem origens geológicas diversas e complexas:

  • Raízes da Cadeia Brasiliana: Formações que remontam à orogênese neoproterozoica, mantidas hoje por processos de compensação isostática e pela exposição de batólitos graníticos.
  • Divisão do Pangeia (Cretáceo): O rifteamento do Atlântico provocou o soerguimento de ombreiras de rift, originando unidades expressivas como a Serra do Mar.
  • Compressão Andina (Cenozoico): Esforços tectônicos leste-oeste resultantes da orogênese andina reativaram falhas antigas no cristalino brasileiro, dando origem, por exemplo, à Serra da Mantiqueira.
  • Tectônica Moderna (Norte): No extremo norte, a fricção entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana influenciou formações como o Pico da Neblina (Serra do Imeri).

3. Unidades Geomorfológicas e Distinções Necessárias

O território brasileiro apresenta diversos exemplos que se enquadram na classificação de montanhas ou unidades montanhosas, como a Serra do Espinhaço (MG/BA), o Maciço de Baturité (CE), o Planalto da Borborema (PE/PB) e a Serra do Teixeira (PB).

Contudo, é imperativo distinguir o relevo montanhoso de outras formas residuais

  • Inselbergs: São relevos residuais isolados, não configurando cadeias montanhosas.
  • Cuestas e Glints: Como a Chapada da Ibiapaba, que são classificados tecnicamente como planaltos devido à sua estruturação estratigráfica e morfológica.

Em suma, a classificação das montanhas no Brasil exige uma compreensão que integre a herança geológica antiga com os processos tectônicos e erosivos mais recentes. A adoção dos critérios do SBCR permite uma leitura mais precisa da paisagem brasileira, reconhecendo a complexidade de sua gênese e a importância de atualizar a divulgação científica sobre o tema.



Fonte: Texto compilado da Live "Existem Montanhas no Brasil"? Disponível em <https://www.youtube.com/results?search_query=genat+ufpb> Acesso em 22/10/2026.


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